Cripto Host Decentralized Hosting
Abstraindo a complexidade da infraestrutura Web3 atrás de uma experiência simples de deploy.
A proposta explorava como oferecer uma experiência semelhante à de plataformas modernas de hosting para frontends Web3, com uma arquitetura modular capaz de integrar diferentes redes, storages e gateways. O projeto avançou por discovery, escopo de MVP e desenho técnico, mas foi descontinuado antes da implementação.
- Papel
- Product Owner · Product Discovery & Technical Architecture
- Etapa
- Discovery · Technical Architecture
- Discovery, escopo de MVP e arquitetura definidos. A implementação não foi iniciada.
- Produto
- Web3 Hosting Platform Concept
- Foco
- Product Discovery · Technical Architecture · MVP Scoping
- Technical Product
- Product Discovery
- Web3
- Infrastructure
- System Design
- MVP
- IPFS
O problema
Publicar um frontend tradicional pode ser simples. Publicar aplicações e assets usando tecnologias descentralizadas costuma exigir familiaridade com IPFS, pinning, gateways, CIDs, storage providers, blockchains, domínios, persistência e infraestrutura.
A pergunta de produto era: quanto dessa complexidade poderia ficar escondida atrás de uma experiência de deploy simples sem eliminar as propriedades que tornam essas tecnologias interessantes?
Meu papel
Minha atuação ficou entre produto e decisões técnicas. Trabalhei no discovery da proposta, pesquisa de tecnologias, definição de backlog e escopo de MVP, além de participar do desenho da arquitetura e dos trade-offs necessários para manter a primeira versão viável.
Como o projeto não avançou para implementação, o trabalho esteve concentrado em transformar uma ideia ampla de hosting descentralizado em uma proposta que pudesse ser discutida, priorizada e eventualmente construída.
A complexidade deveria ficar atrás do deploy
A tese central era que o desenvolvedor não deveria precisar conhecer toda a infraestrutura utilizada para publicar seu projeto. A experiência buscada era:
conectar repositório → configurar projeto → deploy
Enquanto o sistema cuidaria de build, storage, persistência, versionamento, CID, gateway e domínio.
A proposta não era esconder a descentralização: era torná-la acessível sem exigir que quem fosse usar o produto compreendesse toda a complexidade operacional por trás.
Não era sobre criar uma nova blockchain
O que realmente entraria no MVP
O MVP inicial foi definido com um escopo deliberadamente enxuto. O exercício de exclusão foi tão importante quanto definir o que entrava: cada item fora do MVP representava complexidade que poderia ser introduzida depois, com evidência de uso.
Dashboard com projetos, deploys e histórico; autenticação; upload de sites estáticos; integração com GitHub; build automatizado; publicação via IPFS; links públicos; histórico de CIDs; e rollback formavam o núcleo proposto. Microservices distribuídos, infraestrutura multi-região e capacidades avançadas de blockchain ficariam para depois.
Arquitetura candidata
A arquitetura proposta foi organizada em quatro grandes blocos. A separação entre control plane e data plane era uma das decisões centrais: permitiria evoluir a infraestrutura de storage sem reconstruir a experiência principal do produto.
- Interface do usuário Dashboard para projetos, deploys, domínios, versões e configurações. Next.js + TypeScript + Tailwind como stack candidata.
- Control Plane Autenticação, permissões, projetos, deploys, planos, políticas e orquestração. NestJS + TypeScript + PostgreSQL como proposta central.
- Build Engine Receber código, identificar framework, executar build isolado e gerar artefatos. Workers com Node.js + Docker + Redis/BullMQ como fila candidata.
- Data Plane Storage, replicação, gateways e disponibilização do conteúdo. IPFS como camada principal no MVP; Filecoin e Arweave como possibilidades de evolução.
Arquitetura candidata e caminhos de evolução
A exploração técnica abaixo foi produzida durante o discovery. Alguns componentes representam possibilidades de evolução e não faziam parte do MVP inicial.
O fluxo de deploy
O fluxo conceitual de um deploy seguiria estas etapas. O desenvolvedor veria apenas o início e o resultado final; cada passo intermediário seria responsabilidade de um componente específico da arquitetura.
- Git push ou upload de arquivos
- API recebe e enfileira o deploy
- Build Worker executa o build isolado
- Storage Adapter envia artefatos para IPFS
- CID gerado e registrado
- Gateway ou domínio apontado para o CID
- Link público disponível
Evitar prender o produto a um provider
Uma das decisões técnicas mais relevantes foi a proposta de uma camada de adapters. A ideia era que o restante da aplicação trabalhasse com interfaces padronizadas, de forma que trocar um provider não exigisse reconstruir dashboard e lógica principal.
Storage Adapters: IPFS como camada principal do MVP, com Filecoin, Arweave e outros providers como possibilidades futuras.
Blockchain Adapters: Ethereum, Polygon, Base, Arbitrum e outras redes quando necessárias para funcionalidades específicas.
Gateway Adapters: gateways IPFS públicos, fallback e domínios customizados.
Essa abordagem se traduzia em portabilidade, manutenção mais fácil, redução de vendor lock-in e capacidade de evoluir sem reescrever o núcleo do produto.
Começar simples sem fechar caminhos para escala
Essa talvez seja a principal história de technical product deste case.
A estratégia inicial deliberadamente não previa Kubernetes, Kafka, Go ou Rust, dezenas de microservices, rede global própria de nodes ou infraestrutura multi-região desde o primeiro dia.
A proposta era um monólito modular: TypeScript, NestJS, PostgreSQL, Redis com BullMQ, workers separados, Docker e VPS com pinning provider externo.
A lógica era direta: menos complexidade inicial significa menor custo, menor overhead operacional, mais velocidade para validar e possibilidade real de separar componentes quando o uso justificasse essa decisão. Começar com arquitetura distribuída complexa antes de ter qualquer usuário seria otimizar para um problema que ainda não existia.
Infraestrutura e custos
A proposta inicial de infraestrutura era deliberadamente enxuta: uma VPS para os serviços principais, workers de build separados, PostgreSQL, Redis, provedor externo de pinning IPFS, gateway público inicial, backups e monitoramento básico.
A decisão de não operar uma rede própria global de nodes desde o início foi explícita. O custo, a complexidade operacional e a necessidade de validar o produto antes de escalar a infraestrutura tornavam essa escolha pouco justificável naquele momento.
Privacidade, segurança e limites reais
A proposta comercial envolvia temas como privacidade, soberania e resistência a bloqueios. Uma parte importante do trabalho de product discovery foi separar o que era narrativa de marketing do que eram garantias técnicas reais.
IPFS oferece endereçamento por conteúdo, distribuição e possibilidade de redundância. Mas não oferece automaticamente permanência (exige pinning ativo), criptografia (conteúdo é público por CID por padrão), anonimato (gateways e nodes registram acessos) nem uptime garantido.
O MVP teria um control plane centralizado: autenticação, billing e orquestração seriam componentes centralizados. Afirmar que o produto seria “totalmente descentralizado” não seria tecnicamente defensável. Gateways e domínios continuariam podendo falhar; a disponibilidade dependeria da infraestrutura de gateway utilizada.
Esse exercício de calibração entre promessa comercial e realidade técnica foi parte central do discovery.
Roadmap
O roadmap foi elaborado como planejamento durante o discovery, não como compromisso de entrega. A descontinuação aconteceu antes que qualquer fase fosse iniciada.
Fase 1: MVP funcional — Dashboard, autenticação, upload, build automatizado, publicação IPFS, links públicos e histórico de CIDs.
Fase 2: Modularidade e comercialização — Planos, billing, domínios customizados, DNSLink e adapter layer consolidada.
Fase 3: Expansão Web3 — Filecoin e Arweave como opções de storage, ENS e funcionalidades adicionais para DApps.
Fase 4: Escala — Separação de componentes onde o uso justificasse, infraestrutura adicional e possivelmente workers distribuídos.
Onde o projeto parou
A proposta avançou por discovery, pesquisa tecnológica, definição do MVP, backlog e desenho de arquitetura. O desenvolvimento da nova plataforma não chegou a ser iniciado. A iniciativa permaneceu no backlog da Cripto Host e posteriormente foi descontinuada.
Nenhuma funcionalidade foi implementada. Não existem usuários, métricas de produto ou infraestrutura operacional relacionados a esta proposta.
O que este projeto demonstra
- Technical Product: conectar decisões de produto, infraestrutura e experiência do desenvolvedor antes de investir em implementação.
- Product Discovery: transformar uma ideia ampla em problema, proposta e escopo discutíveis.
- MVP Scoping: separar o necessário para validar do que poderia vir depois, e justificar cada exclusão.
- Product Architecture: definir fronteiras entre control plane, build engine, storage e distribuição.
- Technical Trade-offs: evitar complexidade prematura sem bloquear caminhos de evolução futura.
- Product × Engineering: traduzir pesquisa técnica em backlog, requisitos e decisões de produto.